Confusão entre público, privado e familiar: o saque continua

Parece brincadeira, mas é a triste realidade do Brasil atual.

   Nos últimos anos notadamente o Brasil avançou no quesito transparência, controle e fiscalização da gestão pública. Avançamos? Sim, mas é fato que ainda temos muito o que fazer. Parece que aprendemos a descobrir os maus feitos que antes ficavam em segredo nos quartos das elites corruptas e familiares.

       Junto com o acesso à informação veio a invasão à privacidade do gestor público e de sua família (a parte entranhada na administração pública). Ora, é mais que justo, pois se trata do dinheiro público que eles administram. A bem da verdade, tanto o gestor público quanto a comunidade devem separar a vida privada da vida pública, bem como separar a transparência pública do direito à intimidade familiar.

       O Maranhão é um caso bem notório. Por décadas presenciamos uma oposição covarde agredir famílias de políticos que estavam no poder, porém, uma vez chegando ao poder, o discurso muda e a janela que agora é de vidro não aceita ser apedrejada.

       Aqui não me refiro a defender ninguém, seja politico ou eleitor. O que podemos observar é que avançamos pouco e recuamos muito (um passo a frente e dez atrás) em nossas conquistas político-sociais. Eles voltaram ao poder ou mesmo nunca abandonaram o poder; conseguimos saber onde e como se desvia recursos públicos, mas pouco podemos fazer para punir e parar com essa roubalheira que assola o “Brasil democrático e republicano”.

       Por vezes paramos para pensar se não estamos sendo levianos quando falamos algo do marido, esposa, filho, sobrinho ou outro parente do gestor que elegemos, mas logo vem uma pergunta que não podemos deixar de fazer: se elegemos fulano, porque ele coloca familiares, como marido e esposa para governar o dinheiro público? Parece que o governante está dizendo à população que vai roubar em família e assim nosso direito coletivo perde espaço para o pessoal, ou seja, para o roubo familiar.

       Conhecemos o caminho da  justiça, a lei proíbe e é clara, mas os gestores mal intencionados sempre encontram uma estratégia para burlar as regras e fugir do nepotismo. A onda criminosa da vez é usar o parente ladrão como assessor, orientador ou auxiliar não remunerado.

       Pela lei fica impossível o agente público invocar sua privacidade, pois seus atos devem ser regidos pelos princípios da legalidade, moralidade, impessoalidade, eficiência e publicidade ( art 37 da CF ). Há justa causa quando os atos tem relação com a administração pública. Nos faça lembrar ainda que uma vez o agente público colocando familiares para arquitetarem planos de desvio de recursos públicos, é louvável que a comunidade tenha acesso irrestrito às informações que obviamente acabaram por entrar no seio da família, uma vez que esta age como uma quadrilha e não mais como um lar familiar.

 

Um comentário sobre “Confusão entre público, privado e familiar: o saque continua

  1. R.V. disse:

    É justo que o eleitor fique informado sobre o nepotismo,como se sabe o povo é quem elege,então nada mais justo que ele fique informado sobre a administração publica e por quem ,Cleoner seu blog esta sendo bem aplaudido por todos aqueles que sabem a suma importância dos conhecimento que se passa em uma má administração, você esta de parabéns ,vamos ficar de olhos abertos.

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